sexta-feira, 24 de julho de 2009

Comic Con 2009 - Cultura Pop que excede um Pavilhão


Começou no último dia 22 a feira que entra cada vez mais no calendário "pop" do mundo do entretenimento, a Comic Con edição 2009. Os números das edições passadas são gigantes, assim, podemos imaginar que o evento deste ano vai ser, no mínimo, um sucesso.

Na edição de 2006 e 2007 os administradores tiveram problemas com a lotação. Em 2006, por exemplo, a organização teve que interromper o registro de pagantes por algumas horas pois o gigantesco San Diego Convention Center não poderia comportar mais pessoas. Em 2007, eles introduziram um "passe de 3 dias" que não incluía sábado. Mesmo assim, a organização teve mais de 125 mil profissionais do meio registrados, sem contar os inúmeros fãs de gibis e séries que se amontoram na frente do pavilhão dias antes do evento ter início. Em 2008, os passes de 3 dias esgotaram bem antes do início do evento. Todos estão ávidos por novidades nas áreas de quadrinhos, cinema e games. A Comic Con foi cortejada por outras cidades americanas interessadas em sediar o evento, mas até agora não se pronunciaram oficialmente sobre mudar de San Diego.

Nem sempre foi assim. Para se ter uma idéia, a primeira Comic Con (ocorrida há 40 anos em um salão de hotel) contou com 300 pessoas entre público e expositores. Sua principal função foi angariar fundos para que a feira do próximo ano pudesse ser feita pela primeira vez no San Diego Convention Center. Durante um bom tempo a feira foi dedicada apenas aos gibis e livros; mas então, de mansinho, a fim de promover seus mais recentes lançamentos, aportaram na Comic Con as primeiras empresas de cinema e televisão, seguidas de perto pelas de games.

Durante os anos 90 podia-se contar nos dedos (de uma mão) o número de artistas que iam à San Diego apoiar o lançamento de um filme ou série. Somente as celebridades que curtiam "novidades" ou que teriam ouvido algum publicista lhes dizer que a feira vincularia ainda mais sua imagem ao público jovem, eram capazes de pisar no imponente salão H do pavilhão de San Diego e sorrir para as dezenas de flashes Cybershot vindos sabe-se lá de onde. O fato é que, para um artista, ir ao Comic Con significava pagar mico.

Mas o tempo (e a tecnologia) tratou de mudar as coisas.

Segundo a imprensa internacional, um evento ocorrido em 2002 teria definitivamente mudado a opinião dos profissionais e celebridades de Hollywood sobre o verdadeiro poder da Comic Con na promoção de um filme/produto. Naquela ocasião, Angelina Jolie estava promovendo Tomb Raider e decidiu participar da feira somente se pudesse transforma sua visita em um grande evento. Conseguiu muitos flashes e muita atenção ao promover Tomb Raider já no aeroporto de San Diego (o produtor agradece), virou capa da USA Today no dia seguinte e isso mostrou aos demais estúdios que não se pode brincar com a tal "feirinha".

"Você pode estar em todos os blogs, todos os sites de fãs e de formadores de opinião, mas quando sua estratégia de promoção alcança uma mídias como aquela, os executivos da velha guarda pensaram 'Ei, peraí, entendi!'", diz Mike Vollman, um executivo da MGM presente na feira atual, e que trabalhava para a Dreamworks naquela época.

Nos anos seguintes, todas as celebridades quiseram ir. Tivemos Joss Whedon e o elenco de Buffy (há muitos anos, não lembro quantos), vieram depois Ben Affleck (com o Demolidor), Arnold Schwarzenegger e Bryan Singer. Tivemos tambémo diretor John Favreau que debutou no evento levando Zathura e nos anos seguintes levou trechos inéditos de Homem de Ferro, JJ Abrams e o elenco de Star Trek (ano passado), entre outros. Neste ano temos os debutantes Tim Burton (Alice no País das Maravilhas), Robert Zemeckis (A Christmas Carol) e os reverenciados cineastas do oriente Park Chan Wook e Hayao Miyasaki. Há rumores que apareçam por lá também Jim Carrey e Denzel Wahington, até a presente data, nada de terem aparecido.

Os destaques deste Comic Con 2009 estão sendo os seguintes:
  • A tecnologia 3-D veio para ficar. Que o diga os cineastas James Cameron (com os 23 minutos aprovadíssimos de Avatar), Robert Zemeckis (cujo filme "A Christmas Carol" também foi produzido para se aproveitar da nova tecnologia), além de outros filmes que vão pegar rabeira na tecnologia, apesar de não terem sido produzidos exclusivamente para esta mídia (Toy Story 2, Alice no País das Maravilhas, etc...)
  • O elenco de "Twilight" leva o público ao delírio. A produtora Summit não precisava disto, mas mesmo assim resolveu roubar o dia com sua mesa redonda.
  • Toy Story 3 está agendado para 2010. Foi o que disseram os panelistas da Disney.
  • Os animadores Hayao Miyasaki e John Lasseter são homenageados no evento.
  • Os produtores Carlton Cuse e Damon Lindelof deram algumas dicas sobre o que viria a ser a próxima temporada de "Lost", mas não houve grandes revelações.
  • Seth MacFarlane, criador de "Uma Família da Pesada" fala sobre as 3 indicações ao Emmy de sua animação ( incluindo uma de melhor série que é dada pela primeira vez a uma animação).

A Comic Con deste ano apresenta novidades todos os dias e nem estamos no final da feira ainda (ela acaba amanhã). A minha postagem foi apenas para mostrar a sua evolução e para parabenizar os organizadores por estes 40 anos de serviços dedicados à cultura dos quadrinhos e à pop arte (o cinema vem depois, eu sei). Não vou postar mais nada sobre ela, afinal, temos uma galerinha que já tá fazendo isso (e muito bem! diga-se de passagem). Se você quiser maiores informações sobre a Comic Con 2009 acesse o Omelete. Eles são feras!



quinta-feira, 23 de julho de 2009

Audiência EUA - Semana de 13 de julho

Assim como no Brasil ninguém discute ou se dispõe a concorrer no mesmo horário do Campeonato Brasileiro, nos EUA ninguém pode com o beisebol. A Major League Baseball (MLB) transmitida pela FOX é quem detém a maior audiência desta semana, seguido de perto pelo America's Got Talent da NBC, que continua indo muito bem, obrigado. A MLB volta então à tabela para ocupar a terceira posição.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Concurso de Roteiros Filma Brasil


Temos outro concurso de roteiros aparecendo por aí e premiando (até que bem, são 40 mil e 70 mil reais para curta e média metragem respectivamente) os melhores roteiros nessas duas categorias. Para eu postar aqui é porque dei uma checada no edital e vi que o concurso parece ter boas intenções! Conta com o apoio cultural da Nextel, Samsung, CBN entre outras empresas e portanto, diferentemente de tantos outros "concursos" que brotam na internet, não acho que está brincando com seus inscritos. Meu único "senão" com relação ao Filma Brasil, fica por conta do tal vídeo preview que eles pedem que venha anexo ao projeto. Vídeo Preview? Como assim? É um concurso de roteiros! Não é de direção de curta! Eu aprendi que o roteiro vem antes do vídeo! Ou mudou agora?

Será que eles querem um storyboard em vídeo? Ou um Powerpoint com os bonequinhos do "tive uma idéia!"? Enfim, achei esse critério um pouco sem sentido, ou pelo menos sem explicação suficiente. Aposto que eles receberão uma infinidade de vídeos com fotos baixadas da internet com uma música de fundo que ilustra (de longe, bem de longe) sua idéia. E não deixa o pessoal do ECAD ficar sabendo desse concurso senão vai melar tudo! Não vão deixar mandarem nenhum vídeo!

Bem, taí o concurso Filma Brasil com suas peculiaridades, e se tiverem a fim de checar entre no site deles. Se você achar que falta informação, não estranhe. Respire fundo e continue com a inscrição. Antes um concurso mal explicado mas com boas intenções a concursos de roteiro tendenciosos e que não te levam a sério.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Audiência EUA - Semana de 6 de julho


America's Got Talent está mostrando a que veio. O programa da NBC tem tudo para fazer bonito também no Brasil, através do "Qual é o Seu Talento" que será exibido no SBT. Se as premissas e a estrutura forem respeitados, o SBT não vai ter do que reclamar. Na tabela o que mais se aproxima de "AGT" no campo dos realities é o "The Bachelorette", da ABC, mas é quase injusto comparar. The Bachelorette lida com fórmulas dramáticas que estão mais que batidas e não tem o charme e a empolgação de uma atração de calouros. Por isso está em último lugar na tabela.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Impressões de um evento "Creepy"

Uma das definições de "creepy" pelo dicionário Michaelis é "arrepiador" ou algo que arrepia. Não é aquele arrepio gostoso, relacionado ao prazer de escutarmos uma boa música ou assistirmos a um bom filme. Não. É arrepio de terror mesmo! O mesmo arrepio que sentimos quando alguém nos assusta ou quando passamos em frente a um cemitério.

O evento "creepy" a que me refiro é o concerto em homenagem a Michael Jackson ocorrido na última terça e coberto por pelo menos 4 gigantes da tevê americana. Mariah Carey, Lionel Ritchie, Stevie Wonder e Usher foram alguns artistas que compareceram e cantaram sucessos de Michael para um Staples Center lotado de fãs consternados. Teria sido um show fantástico se não fosse por um detalhe medonho e embaraçoso que vocês já devem ter percebido: diante deles, a alguns metros palco abaixo, estava o caixão de Michael coberto de flores.

Peraí. Então houve um show... com dezenas de instrumentistas... produção de primeira... ginásio lotado... durante um velório? Pois é.

Eu confesso que não entendi. Não sei se foi por causa da minha criação católica latina terceiro mundista ou porque não devo ter acompanhado de perto as tradições americanas mas fiquei absolutamente sem entender aquilo tudo. Na minha concepção (oldfashioned?), velório é um momento solene, de reflexão, de lamento e de respeito a cada um dos presentes e principalmente àquele que se foi. O que vi lá foi uma despedida deselegante e sem qualquer propósito. Quando Usher desceu do palco e tocou o caixão enquanto cantava, confesso que um arrepio de horror subiu pela minha espinha, pois fiquei a imaginar o que fariam as próximas celebridades.

Talvez isso tenha feito sentido na cabeça dos milhares de americanos que ganharam seu ingresso sorteado na internet e compareceram ao evento. Na minha não fez. Você diria então, "ah mas é costume nos EUA os amigos e parentes despedirem-se de falecidos com apresentações de música e até dança", eu retruco perguntando "Foi preciso tudo isto? Mesmo se tratando de Michael Jackson?". Nestes momentos de inversão de valores, Elizabeth Taylor parece ser para mim a pessoa mais sã do mundo! Acho que você leu o que ela disse sobre não poder ir ao evento não leu?

Deixe-me lembra-lo: "Me pediram que falasse no ginásio Staples Center. Não posso ser parte de um circo público. E não posso garantir que diria algo coerente. Não acho que Michael quisesse que compartilhasse minha dor com milhões de pessoas. Como me sinto, é algo entre nós, não um evento público. Disse que não iria ao Staples Center e certamente não quero chegar a fazer parte disso. Amava-o demais".

domingo, 5 de julho de 2009

Como a tevê americana vai cobrir Michael Jackson


Desde que o site TMZ noticiou o furo jornalístico da morte do astro, a mídia americana entrou em uma espécie de frenesi entrevistando todos os que fizeram parte da vida dele, mesmo que por curto período de tempo. Os chamados "experts" em Michael Jackson são tantos e falam com tamanha propriedade que atraíram a atenção de Ken Sunshine, um veterano publicista contratado pela família do astro. "As pessoas deviam sentir-se envergonhadas ao imprimir, dizer ou publicar em blogs informações que são descaradamente mentirosas ou sem qualquer comprovação", reiterou ele, cuja contratação pela família se deu na última quarta feira.

O fato é que Michael Jackson vende, principalmente depois que morreu. Foram 2.6 milhões de downloads vendidos e 3 álbuns (Number Ones, The Essential Michael Jackson e Thriller) apareceram entre os TOP 3, após a triste notícia de sua morte. Para se ter uma idéia o álbum mais recente do Black Eyed Peas ficou em quarto lugar.

Michael Jackson vende também para as tevês. Os programas Dateline da NBC e 20/20 da ABC não deixaram de explorar o tema em suas edições do dia 03 de julho e o resultado mostrou o que já se esperava: esses programas foram os campeões de audiência em seus respectivos horários (Dateline às 20h e "20/20" às 22h). O canal a cabo BET, por exemplo, através de seu BET Awards com um tributo especial a Michael, conseguiu alavancar sua audiência ao ponto de engrossar no último domingo 10.5 milhões de espectadores. Um grande feito para o canal, pois conseguiu chegar perto do episódio final do reality show "John and Kate plus 8", do canal TLC.

Tudo isto é apenas um prenúncio do que veremos no funeral de Michael, considerado o Dia "D" de uma operação logística que deverá entrar para a história do entretenimento. Será na terça feira no gigantesco Staples Center de Los Angeles, e contará com um "pool" das seguintes emissoras: ABC, NBC, Fox, CNN, MSNBC e E! Entertainment. O funeral começará às 10h da manhã, horário local, e até lá teremos coberturas especiais de todos estes canais, a todo o momento, afinal, ninguém vai perder a oportunidade de vender Michael.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Audiência EUA Semana de 15 de Junho

Desde que American Idol acabou a Fox luta com um programa que (tenta) seguir a sua esteira de sucesso chamado So You Think You Can Dance. Mas tudo o que conseguiu foi amargar em último lugar na tabela Nielsen desta semana. Mesmo assim está melhor que a ABC e NBC que nem apareceram. A grande vitoriosa foi sem dúvida a CBS. Ela demonstra que está bastante antenada com o gosto do americano porque conseguiu colocar entre os 10 mais vistos da semana, 9 produtos de seus estúdios. Com exceção do jornalístico "60 Minutes", os demais são todas obras de ficção, ou como se diz no jargão de tevê: scripted formats!

Mais um Ponto para o Digital!


Não é de hoje que a gente ouve falar da "guerra" entre formatos de captura de imagem que acontece nos EUA e cujas repercussões encontram eco nas produções aqui do Brasil. É a batalha do "vídeo" (ou das câmeras high-tech que capturam vídeo com qualidade de cinema) contra o "filme" (ou as câmeras de cinema propriamente ditas, que capturam as imagens em filmes fotográficos). Ou se preferir desta forma: é a batalha de gigantes como a Red, Sony, Panasonic e JVC (fabricantes das câmeras de vídeo) contra as tradicionais Panavision, Arriflex, Aaton, Kodak e Fuji (proprietárias de câmeras de cinema e filmes fotográficos).

De um lado temos a tecnologia das câmeras de vídeo que se aproximam cada vez mais (sem atingir) da qualidade das câmeras de cinema. Do outro temos a qualidade do filme fotográfico que ainda teima em ser superior, apesar dos esforços incessantes do primeiro grupo em melhorar sua tecnologia de captação em CCD ou CMOS. As câmeras de cinema ainda são as mais requisitadas em Hollywood, mas já é possível prever o fim de seu domínio. Isso porque já ocorrem várias movimentações isoladas nos bastidores da indústria que apregoam o fim de um domínio iniciado no início do século passado pelos irmãos Lumiére. Eis alguns indícios:

Arriflex e a Panavision, por exemplo, já ampliaram a pesquisa para sua linha de câmeras DE VÍDEO voltadas para o mercado high end, ou seja, para a produção de séries e filmes de longa metragens.

A Kodak do Brasil direciona o seu marketing quase que totalmente para a área de câmeras digitais e impressão digital (lembra a época que eles vendiam filmes de 12 e 24 poses?), e nos EUA a mesma Kodak amplia investimentos em tecnologia de cinema digital e em pós produção digital.

Convenhamos que isso não poderia nem mesmo ser chamado de guerra, e sim de transição, afinal, fica bem claro que a tendência é a passagem para o digital, apesar da resistência de algumas empresas e pessoas.

O encarecimento do filme fotográfico é outro motivo que tem feito as produtoras transporem seus recursos para o convidativo, barato e (ainda) desconhecido mundo do digital. É verdade que as imagens não são tão boas, mas se pesarmos os prós e os contras, essa transposição figura como um caminho sem volta.

E sabem de onde veio o mais recente golpe nas empresas que fabricam câmeras de cinema? Dos atores! De acordo com o diretor de fotografia do seriado "24 Horas", Rodney Charters, um recente acordo firmado entre produtores e a AFTRA (espécie de associação de atores parecida com o SAG, mas que inclui teatro) exclui o filme fotográfico em contratos futuros com seus membros. Nele, afirma-se categoricamente que os contratos entre atores e produtores serão apenas para a cinematografia digital. Para não perder contratos com atores da AFTRA, os produtores migraram para o digital.

Como em toda transição, alguns gostam, outros não. Segundo algumas matérias com declarações do pessoal de produção em HD, eu fiz uma lista. São aqueles que estão curtindo a transição para o digital e aqueles que NÃO estão curtindo tanto assim. A razão de suas empatias está logo ao lado. Ah, se alguém discordar desta lista, comente abaixo ok?


sexta-feira, 22 de maio de 2009

Estréia no Blog: Audiência televisiva nos EUA

A partir desta semana, publicarei o índice Nielsen dos programas mais assistidos nos EUA. É um índice semanal e leva em conta três tipos de consumidores: o telespectador de tevê aberta, o de tevê em cabo e o telespectador hispano, cuja participação no mercado americano cresce ano a ano.

Resumindo, podemos dizer que o IBOPE é para nós o que o índice Nielsen é para eles. O nome Nielsen vem do fundador Arthur Nielsen que era analista de mercado nos anos 20 e desenvolveu um modo de contabilização e manunseio de aparelhos de rádio ligados nos EUA nos anos 40. Dez anos depois o sistema foi incorporado à televisão e desde então o método idealizado e utilizado por Nielsen foi levado ao mundo inteiro. A contabilização e registro do que o usuário vê em sua casa é feito de duas maneiras:

  • através de do 'diário do usuário", ou de um aparelho que grava os hábitos televisivos do telespectador;
  • ou através de um aparelho mais sofisticado (instalado em casas selecionadas) que coleta toda a experiência do usuário, ou seja, ligação e desligamento da tevê e as mudanças de canal;

Estes dados são coletados todas as noites, religiosamente, desde a instalação deste método de leitura nos anos 50. Atualmente os aparelhos mandam os dados via modem, para a elaboração de planilhas de audiência que monitoram dados minuto a minuto. Em 2005, a Nielsen passou a monitorar também um novo hábito que em breve tomaria conta dos EUA: a de gravar os programas digitalmente, via Tivo. Os resultados das primeiras pesquisas indicaram que esse hábito teria um efeito marcante na publicidade e nos programas de televisão, já que o telespectador agora não precisaria assistir ao intervalo comercial. Ele era sumariamente editado na gravação do programa.

A Nielsen basicamente lida com dois tipos de medida: a audiência em pontos e o tal do "share". De acordo com dados de setembro de 2008, estes pontos representam um total de 114 milhões e quinhentos mil televisores ligados nos EUA. Deste modo, um único ponto em rede nacional equivaleria a 1 milhão 145 mil televisores para a temporada de 2006 e 2007. As datas são importantes porque a cada ano, muda-se a totalidade dos televisores ligados, conforme um enunciado periódico da empresa (sai aproximadamente em agosto).

E o que seria o "share"? Share é a porcentagem dos equipamentos de medição ligados em determinado programa. Por exemplo: a Nielsen reportou que um programa recebeu a qualificação "9.2/15" durante sua exibição por todos os EUA. Isso significa que enquanto 15 por cento de todas as casas equipadas com o sistema de medição estavam com a televisão ligada em determinado momento, uma média de 9.2 por cento de televisores sintonizaram neste programa.

A diferença entre audiência e share é que audiência reflete o total de televisores ligados em um programa específico enquanto share reflete a porcentagem de televisores atualmente em uso, ligados no mesmo programa. Pelo fato da audiência basear-se em amostras, é possível que programas obtenham 0.0 de share, enquanto têm um mínimo de audiência. Segue então a primeira tabela dos índices Nielsen da semana de 8 de junho de 2009:

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Anjos e Demônios - Estréia hoje!

Estou muito envolvido em traduções e queria deixar uma nota pra não passar em branco.

Hoje vai ser o dia em que os departamento financeiro da Sony vai ficar de olho na registradora. Trata-se da esperada estréia de "Anjos e Demônios", o longa do diretor Hon Howard que veio "tentar" se aproximar de seu predecessor "O Código Da Vinci". Não vai conseguir. Sorry!

Não é porque o filme não seja bom. Ele até que é. Tem sequências belíssimas de Roma, centenas de extras além de uma fotografia muito eficiente. Mas o que ocorre é que há exatos 3 anos, no lançamento do "Código...", havia também o burburinho criado em torno do primeiro livro. Todos que tiveram a idéia de ler o livro (muitos ganharam sem pedir) quiseram também checar se o filme seria igualmente interessante. Faturou de cara, na primeira semana, 77 milhões de dólares nos EUA e internacionalmente 155 milhões. Foi formidável.

"Anjos e Demônios" vai ficar aquém deste número (e a Sony inclusive sabe disto), mas não vai ficar tão mal assim na história. Os executivos mais pessimistas acham que vão vender algo em torno de 40 e 50 milhões. Raramente acontece com executivos de estúdio o que aconteceu no caso desta produção, ou seja, eles terem uma idéia de quanto o seu filme vai render. Eles sabem disso porque primeiro, trata-se de uma franquia de Dan Brown. Segundo, o autor, produtor, diretor, ator e roteirista não mudaram! Isso quer dizer que 70% do filme já estava pronto! Restava apenas lidar com o trabalho operacional de produção e distribuição. Não é fantástico você ter estes dados já no início de uma produção? É o sonho de todo executivo de estúdio!

"Anjos e Demônios" antes mesmo de sua estréia, já é passado! Next! Vamos ver o que temos agora para tentar ganhar dinheiro... vejamos...

domingo, 3 de maio de 2009

Gigante à vista!!!


No mundo dos negócios do entretenimento dos EUA os formatos e conteúdos existentes no mercado se resumem basicamente em 2 tipos de material: os scripted (com roteiro prévio que incluem mas não se limitam a novelas, filmes, quadrinhos, livros e games) e os unscripted (sem roteiro prévio, incluindo aí os game shows, programas de auditório e nos últimos anos os "reality shows"). Isso significa dizer que as produtoras criam e negociam seus formatos baseados primeiramente nestas duas relevâncias. Diante de todo o arsenal de mídia que é usado na batalha de audiência das tevês abertas e a cabo, podemos ter a certeza que esse material ou é um formato scripted ou é unscripted, não há como fugir de uma destas condições. Sacaram?
Atualmente os representantes mais poderosos dos formatos "com roteiro" são os grandes estúdios de Hollywood, como a Warner, a Sony, a Fox e a Disney. Ninguém duvida que eles são os donos da bola e regem o mercado aplicando tendências e ditando as suas regras. Acontece que a outra fatia deste mercado (a dos formatos "sem roteiro"), apesar de possuir uma expressão menor nos EUA, é algo que arrebanha toneladas de dinheiro internacionalmente.

Dominado por empresas globais como a Freemantle Media e a Endemol, este mercado de "unscripted" é tão promissor que acabou chamando a atenção de um gigante até então adormecido com a causa, ou pelo menos que não se importou tanto assim com esta causa: a Sony Pictures!


O que chamou a atenção deste gigante foi o fato de 1/3 da grade americana ser dedicada a estes formatos e também o fato destas empresas negociarem seus títulos no mercado internacional com muito mais facilidade que os formatos "com roteiro" que eles possuem às pencas. Na última edição da revista Television Week, o presidente da Sony Pictures Television, Steve Mosko, declarou que "os estúdios sempre tiveram a idéia que sua função é criar uma programação com roteiro que alimente grande parte das grades americanas, mas se olharmos ao que a Freemantle e a Endemol têm feito internacionalmente, vemos que há um mercado enorme para o 'reality'. Se tivermos o programa certo, podemos fazer um bocado de dinheiro no mundo todo!". Apesar de serem donos do formato "Wheel of Fortune" (Roda da Fortuna), considerado pelos marketeiros como uma máquina de fazer dinheiro, a Sony naturalmente quer mais.

Ela já vem ensaiando a sua entrada no mundo dos "sem roteiros" há algum tempo. Compraram por exemplo a Two Way Traffic, uma gigante distribuidora deste tipo de formato (eles negociam por exemplo, o programa "Quem quer ser Milionário?"; não confunda com o filme... :), a empresa Embassy Row, além de Tom Forman, um veterano produtor de reality shows, responsável por programas como Kid Nation (reality polêmico e de sucesso nos EUA). Outro passo dado para entrar de vez no mercado foi a contratação de um executivo da Endemol chamado Mike Morley para chefiar sua base em Londres e dali, negociar a compra e venda destes formatos.

"Os formatos 'sem roteiro' têm uma grande habilidade de produzir um lucro ancilar" declara outra contratada da Sony, Holly Jacobs, veterana de produção cujo plano de ataque será remexer no enorme catálogo de formatos "com roteiro" que a Sony possui, e a partir deles, produzir conteúdos de reality show e programas de auditório. Contando com a estrutura atual de produção e com um caixa pra lá de generoso, Jacobs prevê que a Sony tem tudo para surpreender o mercado e se tornar em breve uma das gigantes deste setor.

Outra carta nas mangas é a imagem cultivada de "produtora independente" que ela possui no mercado. Todos sabem que a Sony não possui vínculos fortes com emissora grande alguma. Isso ajudaria por exemplo, na contratação de talentos peso-pesados como Mark Burnett e, a posteriori, na venda de seus formatos a qualquer emissora interessada.



Por que Neil Patel é tão bom?

Quando este indiano criado nos EUA criou a conta "@whoisneilpatel" ninguém entendeu nada. Surgiu logo depois as fotos de modelos...